quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Papai querido

Hoje estava pensando na sorte que eu e minha família temos. Desde o nascimento da Maria pudemos estar juntos, os 3. Ainda que em condições não ideais, o Marcos pôde trazer o trabalho dele para junto de nós e acompanhar o crescimento da nossa filha dia a dia. Ele tem o privilégio de estar presente junto comigo em cada sorrisinho, cada choro, cada conquista, cada consulta médica, cada banho...
A sociedade tem até alguma empatia com a mulher que volta ao trabalho e minimamente compreende sua tristeza em deixar seu pequeno bebê aos cuidados de estranhos em uma creche, ou na casa de algum parente.
Mas ao pai que precisa voltar ao trabalho em 2 dias não cabe o sofrimento. Não seria "másculo".
Não acho que exista uma solução simples. Trabalhar é preciso afinal as contas chegam e a economia nem sempre suporta um afastamento significativo da produção.
Sofregamente o pai faz o seu papel. Não tendo direito a uma licença remunerada para curtir o serzinho que acaba de nascer, ele se enche de coragem e toma seu rumo, deixando em casa boa parte do seu coração.
Mas eu fico imaginando o quanto isso é difícil. O quanto é corajoso.
Às vezes me pego observando o Marcos trabalhando e admiro sua capacidade de se entregar ao trabalho mesmo estando no mesmo ambiente do bebê gorducho que ele tanto ama.
Imagino que, ainda que ele seja muito abençoado por poder estar ali, muitas e muitas vezes ele adoraria parar tudo, no meio do caos, cheio de compromissos, só para admirar as fofurices de sua pequena.
Mas ele espera pacientemente até o banho ou a próxima troca de fralda quando, aí sim, permite-se fazer o que queria ter feito a tarde toda, arrancar sorrisos e gargalhadas da fofucha enchendo sua barriguinha de beijos.
É a melhor hora. Momento em que me apaixono um pouco mais pelos dois. Faço questão de deixar eles curtirem um ao outro enquanto eu observo, admiro e curto o amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário