Uma vez por semana eu e o Marcos fazemos a leitura e reflexão do Evangelho Segundo o Espiritismo. Hoje, conversando depois da leitura lembrei de uma moça que, num grupo de mães no Facebook, dizia alimentar seu bebê de 3 ou 4 meses com leite ninho e aveia, formando um mingau.
Cheia de culpa, ela questionava se estava fazendo certo. Foi, claro, duramente julgada.
Eu, munida de minhas profundas pesquisas realizadas no sr Google nos últimos meses estava me preparando para engrossar o coro e condenar a prática, destacando as recomendações da OMS, declamando todo o arsenal de prós da amamentação exclusiva quando ela, humildemente, explicou que aquela era a melhor maneira que havia encontrado para não ver seu bebê chorando de fome já que não tinha dinheiro para comprar leite artificial e mesmo o leite em pó era caríssimo para seu orçamento. Era, portanto, o melhor que ela podia fazer. E fazia com muita dificuldade, cheia de culpa.
Na mesma hora mudei o tom e escrevi para ela um texto cheio de carinho.
Hoje comentamos como somos abençoados por termos acesso à informação, apoio de bons profissionais e capacidade de fazer mais do que o mínimo pela Maria. Mesmo assim isso não nos impede de errar, e muito.
Como disse o Marcos, só não erramos mais porque a gente dorme algumas horas.
Na maternidade então somos sempre falhas. Estou certa disso. Mas também tenho a certeza de que somos a melhor mãe possível para os bebês que nos são confiados por Deus.
Vejo por mim. Tudo o que fizemos foi pensando no melhor para a Maria, mesmo que para nós fosse o caminho mais difícil.
Optamos pelo parto normal por ser mais seguro para ela. Eu sabia que para mim e para ele seria mais difícil. Que eu sentiria muita dor e o Marcos talvez sofresse por me ver com tanta dor. Em compensação ela viria ao mundo da maneira mais natural, segura e carinhosa possível. Mas o parto foi difícil e ela sofreu um pouco. Erramos? Não. Fizemos o nosso melhor.
Optamos pela amamentação exclusiva até os 6 meses. Isso traz várias consequências. Nossa vida social vai pras cucuias, Maria não pode ser deixada aos cuidados de ninguém porque não mama na mamadeira, não posso me dedicar ao trabalho ainda e vivo com ela pendurada no peito, criando "com apego". Ela não dorme no berço e fica muito pouco fora do meu colo. Erramos? Talvez. Mas neste momento não deixar minha filha chorando e alimenta-la com o melhor alimento do mundo para um ser da idade dela é minha prioridade, logo acredito que mesmo sendo exaustivo para mim e para o Marcos, este é o melhor que podemos fazer.
Vamos errar e acertar muitas e muitas vezes ainda. Mas tenho certeza de que por trás de cada decisão estará um único desejo: fazer o nosso melhor.
É só o que nos importa.
Ver nossa querida filha tendo de nós o que podemos lhe dar de mais precioso: nosso melhor, nosso amor, nossa dedicação.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Mãe erra?
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